E há opiniões muito diferentes
Cristiano Ronaldo Jorge Jesus continuam no centro de um debate que vai muito além de um único jogo.
O debate está longe de ser consensual.
Luís Pedro Sousa, chefe de redação do Record, defendeu publicamente que Portugal deve tratar Cristiano Ronaldo de forma semelhante à maneira como a Argentina trata Lionel Messi.
É uma posição legítima e que certamente encontrará muitos apoiantes.
Ronaldo não é um jogador qualquer.
Mas existe também outra pergunta que merece ser feita.
Tratar Ronaldo de forma especial significa necessariamente que tem de jogar sempre?
Na nossa opinião, não.
🫒 O Azeite da Questão
Talvez este episódio tenha mostrado algo que Portugal precisava de descobrir antes dos jogos verdadeiramente decisivos.
Cristiano Ronaldo pode continuar a ser importantíssimo para a Seleção sem ser obrigatoriamente titular em todos os encontros.
Uma coisa não elimina a outra.
Aos 41 anos, Ronaldo continua a oferecer algo que poucos jogadores conseguem oferecer: experiência, presença na área, capacidade de finalização e um peso competitivo enorme.
Mas Portugal também tem Gonçalo Ramos, João Félix e várias soluções ofensivas capazes de decidir jogos.
Isso deveria ser visto como uma vantagem, não como um problema.
O maior erro que Portugal poderia cometer seria transformar cada substituição, cada suplência ou cada jogo sem Ronaldo numa espécie de referendo nacional sobre o futuro do capitão.
Há jogos para Ronaldo.
Pode haver jogos para Gonçalo Ramos.
Pode haver momentos para jogar com os dois.
É precisamente para tomar essas decisões que existe um selecionador.
Jorge Jesus também passa um teste importante
Esta história não é apenas sobre Ronaldo.
É também sobre Jorge Jesus.
Um selecionador não pode escolher onze jogadores pensando primeiro na dimensão mediática da decisão.
Tem de escolher aquilo que acredita ser melhor para aquele jogo.
Depois terá de explicar as suas escolhas e, sobretudo, gerir jogadores com estatutos muito diferentes dentro do balneário.
E Ronaldo representa provavelmente o maior desafio possível nesse capítulo.
Se Jesus conseguir manter o capitão envolvido e motivado enquanto ganha liberdade para escolher a equipa em função de cada adversário, Portugal pode sair desta situação mais forte.
Se cada vez que Ronaldo ficar no banco nascer uma crise nacional, então teremos um problema que acompanhará a Seleção durante toda a época.
Talvez a verdadeira notícia seja outra
Portugal foi à Noruega, ganhou 2-1 e o avançado escolhido para jogar no lugar de Cristiano Ronaldo marcou o golo da vitória.
Ronaldo não entrou.
Dois dias depois, treinador e capitão conversaram.
Talvez isto não tenha de ser uma guerra.
Talvez seja simplesmente futebol.
E talvez o próximo passo na evolução desta Seleção seja precisamente conseguirmos discutir se Ronaldo deve jogar sem transformar a resposta numa escolha entre respeitar ou desrespeitar a sua carreira.
Cristiano Ronaldo já fez demasiado por Portugal para que o seu legado dependa de começar todos os jogos no onze.
E Portugal tem demasiado talento para que todas as decisões da equipa continuem a girar exclusivamente à volta de um único jogador.
E tu, o que farias? Num jogo decisivo amanhã, Cristiano Ronaldo continuava a ser titular indiscutível ou Jorge Jesus deve escolher entre Ronaldo e Gonçalo Ramos dependendo do adversário?